As nossas escolhas são essenciais para o futuro do comércio de proximidade


As nossas escolhas são essenciais para o futuro do comércio de proximidade

Já há algum tempo que tenho o hábito de enumerar tudo aquilo que devo agradecer, como uma forma de me libertar de algum pensamento mais negro e para conseguir força para enfrentar o dia-a-dia. Há sempre alguém que está pior do que nós e agradecer as bençãos leva-me a conseguir perspectivar aquelas situações que, à partida, até me pareceram as mais negras.

No topo da listas dos meus agradecimento, nestes dias de pandemia, têm estado estes pensamentos: vivo em Portugal, onde doenças mortais estão no plano nacional de vacinação há muitos anos, livrando-nos de epidemias que grassam ainda em muitas zonas do globo, como em África; vivo em Portugal, onde temos água corrente nas torneiras para podermos lavar muito bem as mãos – com o belo do sabão azul – e assim podemos defender a nossa saúde e a de todos os que nos rodeiam; vivo em Aveiro, onde houve uma onda de solidariedade para com aqueles que estão na linha da frente do combate à pandemia; vivo em Aveiro, onde os vizinhos se organizaram para se entreajudar e dar apoio aos que mais necessitam; vivo em Aveiro, onde a academia (UA) – desde o primeiro momento – apoiou os seus profissionais em iniciativas de apoio directo ao hospital e até associações no seu interior se mobilizaram para ajudar os grupos mais penalizados pela pandemia, como os idosos e info-excluídos.

Tenho ainda que dar graças porque em Aveiro ainda há muitos que se lembram de ir à Casa Martelo e dessa forma ajudam a manter os postos de trabalho de quem há anos se dedica a servir a cidade de Aveiro. A Casa Martelo que – como todo o comércio de proximidade – só poderá ultrapassar os duros momentos presentes e futuros se cada um de nós colocar como prioridade adquirir nas lojas das pequenas empresas que animam o comércio de rua da nossa cidade.

Por vezes baixamos os braços por pensar que não podemos fazer a diferença, mas esquecemos que temos sempre escolha e que as nossas escolhas podem ser absolutamente essenciais nos tempos de crise que vivemos. Podemos escolher gastar o nosso dinheiro onde ele faz toda a diferença, ou seja, podemos ajudar sem gastar um cêntimo, basta direccionar as nossas compras, aquelas que já fazemos habitualmente, para o comércio local .

Cada um de nós pode fazer a diferença escolhendo comprar nos pequenos negócios e preferindo produtos fabricados em Portugal, todos ficamos a ganhar! Desta forma, poderemos olhar para um futuro em que salvamos as empresas aveirenses e nacionais neste momento crucial.

E, sem gastar mais um cêntimo do que já gastamos – se calhar até poupamos –, pois ao contrário do que a publicidade das grandes cadeias nos leva a crer, não é mais barato comprar lá e normalmente até somos induzidos a comprar o que não precisamos, ou que podemos comprar nas lojas de proximidade ao mesmo preço, ou mais barato. Ficaremos também a ganhar, pois as pequenas empresas pagam todos os seus impostos em Portugal.

Vamos agir?!? E depois todos teremos algo mais para agradecer por viver em Aveiro, por viver em Portugal, porque todos ficamos a ganhar com cidades que têm um comércio de proximidade vivo, proporcionando uma circulação dos rendimentos dentro da comunidade, pois não foram direccionados para uma multinacional, ou grande empresa que pode nem ter sede em Portugal.

Estou grata por viver em Portugal, estou grata por viver em Aveiro. E vocês?

Marina Vieira

Casa Martelo – empresa familiar há 3 gerações

Texto originalmente publicado no Diário de Aveiro 7 de Maio de 2020. O nosso agradecimento ao Diário de Aveiro na pessoa da jornalista Sandra Simões pelo desafio.

Write a Comment